Ultimamente me aprofundando um pouco mais no trabalho da banda Radiohead, percebi que as semelhanças entre esta e o cineasta Paul Thomas Anderson vão além do guitarrista Johnny Greenwood na trilha sonora dos dois últimos filmes do diretor. Tanto o PTA de 2002 pra cá quanto o grupo liderado por Thom Yorke possuem um ideal artístico de desequilíbrio, de propôr desamparo, de experimentar o exótico cada vez mais, de misturar pura exploração atmosférica com o desconforto do não-pertencimento a uma era tão modernizada. Não é a toa que o cineasta passou a fazer filmes realmente significativos (quer dizer, além de um bom exercício cinéfilo de estilo) e desprendidos de um senso moralista somente a partir de "Embriagado de Amor": Foi quando ele entendeu, provavelmente com ajuda da música do Radiohead, o que de fato havia de interessante no tipo de personagens que vinha filmando desde "Boogie Nights" e que não deveriam ser julgados por simples questão moral como era feito no filme de 97 e em "Magnólia". Aquele monstro primitivo e por vezes fora de controle, protagonista de "Embriagado de Amor", "Sangue Negro" (a obra-prima do diretor) e "O Mestre", é consequência do sufoco do capitalismo, da vinda da modernidade, da competitividade cega tanto entre indivíduos quanto entre nações - no caso do último longa. E aí não é difícil lembrar daquela similar atmosfera pós-apocalíptica sensacional do álbum "Kid A". Além disso, Paul Thomas Anderson (quer dizer, ao menos o de 2002 pra cá) prefere acompanhar sem muita interferência - o que incomoda muita gente, vale lembrar - as relações dos personagens ao invés de cutucá-las e desenvolvê-las como outro cineasta provavelmente faria, o que também é influência de Radiohead (exemplo disso é a música "Creep").
Enfim, Thom Yorke é o mestre e Paul Thomas Anderson é o bom aprendiz - os artistas que não conseguem de modo algum se encaixar neste mundo excessivamente moderno de hoje. Ambos têm seus erros e seus acertos (afinal, não é fácil dominar o desequilíbrio, nem na linguagem musical e nem na linguagem cinematográfica), mas a importância da proposta de seus trabalhos é inegável.



